A cefaleia, ou dor de cabeça, é uma condição extremamente comum que afeta uma significativa parcela da população. Estudos indicam que cerca de 66% das pessoas experimentarão dor de cabeça em algum momento da vida. Essa condição é uma das principais razões pelas quais indivíduos buscam atendimento médico.
Embora a dor de cabeça seja um sintoma frequente, é importante entender que existem diferentes tipos de dor de cabeça, cada uma com características distintas e que podem ter tratamentos distintos.
Qual o médico que trata a dor de cabeça?
Exatamente por existir diversos tipos de dor de cabeça, e que podem estar relacionados a múltiplas causas, o médico de família é frequentemente a melhor escolha. O atendimento do médico de família consiste em uma abordagem integral e centrada no paciente, o que significa que ele não apenas se preocupa com a dor em si, mas também considera o impacto que ela tem na sua vida cotidiana.
O médico de família está capacitado para identificar diferentes tipos de dor de cabeça e suas possíveis causas, podendo realizar uma avaliação abrangente e detalhada. Além disso, é capaz de desenvolver um plano de tratamento personalizado que pode incluir orientações sobre mudanças no estilo de vida, técnicas de manejo do estresse e, se necessário, o uso de medicamentos. Outro ponto importante é que o médico de família pode acompanhar sua evolução ao longo do tempo, fazendo ajustes no tratamento conforme necessário.
Sou Juliane Ferreira, Médica de família e comunidade, especialista no tratamento de dor de cabeça e outras causas de dor crônica.
Membra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.
Já atendi mais de 20.000 pacientes, acompanhando todas suas queixas de saúde e centralizando seu cuidado, sem precisar de um especialista para cada doença e queixa.
Quero atender você e cuidar da sua saúde como um todo. Vamos juntos?
Veja algumas opiniões de pacientes que já consultaram com a Dra Juliane Ferreira:

Tipos de Cefaleia (dor de cabeça)
Com objetivo de facilitar o entendimento e o tratamento, as dores de cabeça são separadas em dois grupos: cefaleias primárias e cefaleias secundárias.
As cefaleias primárias são aquelas dores de cabeça que não são consequência de uma outra doença. Já as cefaleias secundárias são dores de cabeça ocasionadas por outra doença subjacente.
Principais cefaleias primárias
Cefaleia do tipo tensão
É a forma mais comum de dor de cabeça. A dor é geralmente leve a moderada e é frequentemente descrita como uma sensação de pressão ou aperto, sem a intensidade extrema das migrâneas (enxaquecas). Este tipo pode ser episódico (ocorrendo ocasionalmente) ou crônico (com episódios frequentes ou diários), e é frequentemente associado a fatores como estresse, má postura ou tensão muscular.
Geralmente, não está associada a enjoos e vômitos, nem à fotofobia e à fonofobia. Não piora com esforços físicos habituais (diferente da enxaqueca, que será abordada a seguir).
A presença de distúrbios do sono, como insônia ou apneia obstrutiva do sono, aumenta o risco de cronificação e intensidade da cefaleia tipo tensão, assim como a presença de transtornos ansiosos.
Em alguns casos de cefaleia tensional, a causa são pontos-gatilho de dor
Pontos-gatilho
É muito comum que esse tipo de dor de cabeça seja causado por pontos-gatilho de dor. Devido à má postura ou a tensão muscular prolongada, uma faixa muscular pode ficar contraída por muito tempo e perder a capacidade de relaxamento.
Nesse ponto de contratura, a circulação de sangue não ocorre de maneira adequada, e acumula substâncias inflamatórias. Assim surgem os pontos-gatilho. Quando estão na região da cabeça ou pescoço, podem causar dor de cabeça
Enxaqueca (Migrânea)
Este tipo de cefaleia é caracterizado por dores intensas, frequentemente localizadas em um lado da cabeça.As crises de enxaqueca podem ter até 5 estágios:
- Pródromo: São sintomas que aparecem antes da dor, e podem estar presentes até 24 horas antes do início da dor. São sintomas de pródromo: alterações de humor, irritabilidade, perda do apetite, enjoo, bocejo, compulsão por alimentos, dificuldade de concentração e/ou raciocínio e retenção hídrica.
- Aura:é o sintoma neurológico que precede a cefaleia e apresenta-se com alterações visuais, como presença de fosfenas(sensação luminosa ao pressionar os olhos) e escotomas (cegueira parcial ou total, transitória). No entanto, a aura também pode cursar com alterações sensitivas e, muito mais raramente, motoras.Os sintomas da aura se desenvolvem gradualmente, no decorrer de 5 a 20 minutos,durando, em geral, até 1 hora. É comum que os sintomas da aura acabem após com o aparecimento da dor. É mais comum ter enxaqueca sem aura do que com aura.
- Cefaleia: É o período da dor de cabeça, duram de 4 a 72 horas e acometem frequentemente um único lado da cabeça. A dor é moderada ou intensa. Geralmente, pulsátil ou latejante e acompanhada de enjoo, vômitos, fotofobia (piora da dor com o aumento da intensidade luminosa) e fonofobia (piora da dor com sons). Atividades habituais, como caminhar e subir escadas, estão relacionadas à piora na intensidade da dor na enxaqueca.
- Período de resolução: Conforme a dor vai passando, a pessoa pode vomitar e/ou dormir.
- Sintomas residuais: Os sintomas residuais podem incluir fadiga, fraqueza, dificuldade de concentração e confusão mental. Caso a pessoa não tenha sintomas residuais, isso não quer dizer que o caso não seja enxaqueca.
Cefaleias Trigêminoautonômicas
Essas cefaleias, que incluem a cefaleia em salvas, são menos comuns. A cefaleia em salvas é caracterizada por crises de dor intensa de um lado da cabeça, geralmente na região ao redor dos olhos. Os sintomas autonômicos associados, como lacrimejamento, congestão nasal e suor facial, são comuns durante as crises.
Cefaleias secundárias: quando outras doenças causam dor de cabeça
- Cefaleia atribuída à infecção: Infecções podem causar dores de cabeça. No caso das gripes, resfriados e sinusites, a dor é acompanhada por outros sintomas, como febre, congestão nasal, tosse ou dor de garganta. Outro exemplo comum de infecção que causa dor de cabeça é a dengue, que pode vir acompanhada de febre, cansaço, dor no corpo, enjoo, vomitos, diarreia entre outros sintomas.O tratamento foca na infecção subjacente, pois a dor melhora após a resolução da infecção.
- Cefaleia atribuída a trauma de crânio e/ou cervical: Essa dor de cabeça pode ocorrer após um acidente ou lesão na cabeça ou pescoço. Pode ser resultado de contusões, fraturas ou tensão muscular na região. Os sintomas podem variar de leves a intensos e podem aparecer imediatamente ou algumas horas após o trauma.
- Cefaleia atribuída a distúrbio vascular craniano ou cervical: Essas dores de cabeça são causadas por problemas nos vasos sanguíneos do cérebro ou do pescoço, como aneurismas ou tromboses. Podem ser acompanhadas por sintomas mais sérios, como visão turva ou fraqueza em um lado do corpo. É importante procurar ajuda médica rapidamente.
- Cefaleia atribuída a distúrbio intracraniano não vascular: Este tipo inclui dores de cabeça causadas por condições internas, como tumores, infecções (como meningite) ou aumento da pressão intracraniana. Os sintomas podem incluir dor intensa, náuseas e alterações na visão.
- Cefaleia atribuída a uma substância ou à sua retirada: Essas dores de cabeça podem ocorrer devido ao uso de certas substâncias, como álcool, cafeína ou medicamentos. A dor pode surgir quando a pessoa para de usar a substância ou quando há um consumo excessivo. O tratamento geralmente envolve a reintrodução gradual da substância ou a adaptação do organismo.
- Cefaleia atribuída à alteração da homeostase: Essas dores de cabeça resultam de mudanças no equilíbrio do corpo, como desidratação, alterações hormonais ou problemas metabólicos. Manter uma hidratação adequada e uma dieta equilibrada pode ajudar a prevenir essas cefaleias.
- Cefaleia ou dor facial atribuída à alteração de crânio, pescoço, olhos, orelhas, nariz, seios da face, dentes, boca ou outras estruturas faciais ou cranianas: Esse tipo de dor pode ser causada por problemas em estruturas faciais, como infecções dentárias, sinusite ou problemas de mandíbula. O tratamento depende da causa específica e pode incluir antibióticos ou cuidados dentários.
- Cefaleia atribuída a transtorno psiquiátrico: Algumas condições psicológicas, como ansiedade ou depressão, podem se manifestar como dores de cabeça. Nesses casos, o tratamento envolve abordar o problema emocional, frequentemente através de terapia ou medicação.
Sinais de Alerta: quando devo procurar imediatamente ajuda médica ao sentir dor de cabeça?
Embora a maioria das dores de cabeça não seja grave, existem sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação médica imediata. Esses sinais incluem:
- Dor súbita e intensa: Uma dor de cabeça que aparece de forma abrupta e atinge sua intensidade máxima em minutos. Geralmente a intensidade se caracteriza por ser uma das piores dores que o paciente já experienciou.
- Alterações no padrão da dor: Se uma pessoa já tem um histórico de dor de cabeça e nota mudanças significativas em suas características ou frequência.
- Sintomas neurológicos associados: Como fraqueza, confusão, tontura, ou alterações na visão que acompanham a dor de cabeça.
- Febre e Rigidez na Nuca: Se a dor de cabeça estiver acompanhada de febre alta e rigidez no pescoço (exemplo:não consegue encostar o queixo no peito), isso pode indicar meningite, uma condição que requer tratamento urgente.
- Dor de Cabeça Após Trauma: Qualquer dor de cabeça que se desenvolva após uma lesão na cabeça (especialmente se houver perda de consciência) deve ser avaliada por um profissional de saúde.
- Cefaleia Persistente: Se a dor de cabeça não responder ao tratamento usual e persistir por mais de 72 horas, é importante procurar um médico para uma avaliação mais aprofundada.
- Cefaleia em Pacientes com Histórico de Câncer ou Imunossupressão: Pacientes com histórico de câncer ou que estão imunocomprometidos devem buscar ajuda se desenvolverem novas dores de cabeça, pois isso pode indicar complicações sérias.
- Alterações Visuais ou Auditivas: Se a dor de cabeça estiver acompanhada de perda de visão, visão dupla ou zumbido persistente, é fundamental procurar atendimento médico.
- Hipertensão arterial grave: Se a pressão arterial estiver muito alta, associado a confusão mental e/ou outra alterações neurológicas, procurar atendimento médico imediatamente.
ATENÇÃO
Na dúvida, entre em contato com sua médica de confiança e não hesite em buscar ajuda!
Como eu te ajudo a tratar a dor de cabeça
- Avaliação Completa: Durante a consulta, realizarei uma anamnese detalhada, ouvindo atentamente suas queixas e coletando informações sobre a natureza da dor, sua frequência, duração e possíveis gatilhos. Esse processo é crucial para determinar o tipo específico de cefaleia que você está enfrentando.
- Escuta Empática: Ofereço um espaço seguro para que você possa compartilhar suas preocupações e experiências pode ajudar a identificar não apenas a dor em si, mas também como ela afeta sua vida diária.
- Exames complementares: Em alguns raros casos, pode ser necessário a realização de exames de imagem. Na maioria dos casos o diagnóstico é feito durante as consultas, com a entrevista e o exame físico detalhados.
- Educação e Orientação: Compreender as diferentes causas e tipos de dor de cabeça pode ajudar a aliviar a ansiedade relacionada à dor. Muitas vezes, um diagnóstico claro pode oferecer um alívio significativo e ajudar na tomada de decisões sobre o tratamento.
- Elaboração de um Plano de Tratamento Personalizado: Dependendo do tipo de dor de cabeça, discutiremos opções de tratamento que podem incluir alterações no estilo de vida, técnicas de relaxamento e, em alguns casos, o uso de medicamentos. A escolha dos medicamentos pode variar desde analgésicos comuns até opções mais específicas, dependendo da gravidade e da frequência dos episódios. Nos casos em que forem detectados pontos-gatilho, realizo a técnica de agulhamento a seco.Quando a causa da dor são os pontos-gatilho, o tratamento mais efetivo nesses casos é o agulhamento a seco. O alívio da dor é instantâneo.
- Acompanhamento e Revisão Contínua: Para aqueles que sofrem de dores crônicas, o acompanhamento regular é essencial. Podemos monitorar a eficácia do tratamento e realizar ajustes conforme necessário, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente.
- Uso de Diários de Cefaleia: Para pacientes com dores frequentes, manter um diário de dor pode ser uma ferramenta útil. Esse diário permite registrar a frequência, a intensidade e os possíveis gatilhos da dor, ajudando a identificar padrões e a eficácia do tratamento ao longo do tempo.
- Encaminhamentos Quando Necessário: Se houver sinais de uma condição médica mais rara e específica, poderei encaminhá-lo a um especialista certo, sem que você perca tempo. Isso é especialmente importante para cefaleias secundárias, que podem exigir investigação adicional.
9 Mitos sobre a Dor de Cabeça
- “A dor de cabeça é sempre um sinal de algo sério.”
Muitas pessoas acreditam que toda dor de cabeça indica uma condição médica grave, como um tumor cerebral ou um aneurisma. Na realidade, a maioria das dores de cabeça, especialmente as primárias, como as enxaquecas e as cefaleias do tipo tensão, não está associada a problemas sérios e podem ser tratadas com eficácia.
- “Somente medicamentos podem tratar a dor de cabeça.”
Embora os medicamentos possam ser úteis no alívio da dor, muitos não percebem que mudanças no estilo de vida, como a prática regular de exercícios, técnicas de relaxamento, hidratação adequada e uma alimentação balanceada, podem desempenhar um papel crucial na prevenção e manejo da dor de cabeça.
- “Café deve ser evitado a todo custo.”
Existe uma crença comum de que a cafeína é sempre prejudicial para quem sofre de dor de cabeça. Embora o consumo excessivo de café possa desencadear dores de cabeça em algumas pessoas, a cafeína em quantidades moderadas pode, na verdade, ajudar a aliviar a dor em alguns casos, especialmente durante episódios de enxaqueca.
- “A dor de cabeça é apenas uma questão de estresse.”
Embora o estresse seja um fator que pode desencadear ou agravar as dores de cabeça, não é a única causa. Fatores como desidratação, alterações hormonais, problemas de sono e até mesmo certos alimentos podem contribuir para o aparecimento das dores de cabeça.
- “Se você tem enxaqueca, você deve sofrer com isso para sempre.”
Muitas pessoas acreditam que a dor de cabeça crônica é uma condição imutável. No entanto, com o tratamento adequado e um plano de manejo personalizado, muitas pessoas conseguem reduzir a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca.
- “Eu preciso de uma ressonância pra ter certeza que minha dor de cabeça não é nada grave”
A maioria das dores de cabeça, especialmente as primárias como as enxaquecas e as cefaleias do tipo tensão, não mostram alteração em exames de imagem. A avaliação em consulta bem como o exame físico são suficientes para identificar a maioria das causas de dores de cabeça. Não se preocupe, nas raras situações que seja detectado na consulta a necessidade de um exame de imagem, será solicitado.
Pode ser que você ainda se pergunte: Mas Dra, mal não vai fazer, certo? Errado! Além de ser um exame caro para se fazer sem indicação certa, muitas das vezes podem parecer alterações no exame que não tem significado clínico nenhum (apenas uma variação do normal, sem indicar que você tenha ou vá ter alguma doença). Isso, além de atrapalhar a nossa investigação, pode te preocupar sem necessidade.
7. “Se estou com dor de cabeça, minha pressão arterial está alta”
Na maioria das vezes em que a pressão arterial está num valor acima do normal, não há sintomas. Exceto nos casos severos onde há uma crise hipertensivas (em que os valores de pressão estão muito acima do normal). O que pode acontecer é a própria dor de cabeça elevar a pressão arterial, o que é comum quando estamos com dor.
8.“Eu tenho dor de cabeça porque tenho sinusite crônica”
A sinusite crônica é uma inflamação nos seios da face, geralmente causadas por uma infecção prévia, alergias, desvio de septo entre outros. Ela pode causar dor de cabeça, mas, para considerar que a causa seja sinusite crônica, a dor deve vir acompanhada de outros sintomas, como: congestão ou secreção nasal, tosse, alteração no olfato ou dor de garganta. Apenas dor de cabeça de forma isolada é muito improvável que a causa seja sinusite crônica.
9.“Estou tendo muita dor de cabeça, deve ser porque estou precisando de óculos”
Apesar de ser umas das primeiras causas pensadas pelos pacientes, não é a mais frequente. Aqui estão as principais características de dor de cabeça quando há um problema de refração ocular (como miopia, astigmatismo entre outros)
- Localização e características da dor: A dor causada pela falta de correção visual geralmente é frontal e pode ser descrita como uma pressão ou tensão. Em contraste, dores de cabeça tensionais podem ser mais difusas e em toda a cabeça, enquanto enxaquecas costumam ser unilaterais, pulsantes, e podem incluir sintomas como náuseas ou sensibilidade à luz e ao som.
- Sintomas oculares: A presença de fadiga ocular e visão embaçada pode ser um sinal claro de que a dor de cabeça está relacionada à necessidade de óculos. Outros tipos de dor de cabeça geralmente não têm esses sintomas associados.
- Alívio com a correção visual: Se a dor de cabeça melhora significativamente após o uso de óculos corretivos ou após a realização de um exame oftalmológico, isso indica que a causa estava relacionada à visão. Outras dores de cabeça não terão essa resposta ao tratamento visual.
- Duração: A dor causada pela falta de óculos pode ser intermitente e estar presente após períodos prolongados de esforço visual. Em comparação, dores de cabeça de origem tensional ou enxaquecas podem ter padrões diferentes de frequência e duração.

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